“De médico e louco todo mundo têm um pouco”, apesar da maioria só querer a primeira parte.

A palavra loucura não possui uma definição específica, esta atrelada a uma variedade de definições e sentidos. Mesmo assim, seu uso é bastante recorrente em nosso cotidiano. Ao analisarmos historicamente o conceito de loucura nos deparamos com uma variedade de interpretações em relação a este estado, que popularmente denominamos loucura.

A definição deste termo tende a variar de acordo com a cultura e o período histórico em que sua ocorrência é verificada, o que nos mostra a fragilidade e a arbitrariedade do conceito. Não se pode dizer que exista uma definição científica para termo. Como muito bem aborda Foucault em seu livro História da Loucura.

Ao empregar o termo loucura a pessoas, de um modo geral, referem-se a comportamentos estranhos e incomuns de indivíduos que por motivos não explicitamente indicados os fazem. A falta de informação e a dificuldade de conviver com o diferente é o que muita das vezes alimentam o preconceito embutido no uso do termo.

Loucura é um termo vazio, que tendem a ser preenchido com preconceitos e mitos em relação a pessoa em sofrimento psíquico. As doenças consideradas psicológicas nem sempre são levadas a sério, as pessoas com este quadro costumam ser taxadas de “frescas”, “incompetentes”,“incapazes” e etc. O que não é verdade, uma pessoa em sofrimento psíquico pode apresentar um quadro extremante comprometedor de seu bem estar físico e psíquico.

Apesar de estar acontecendo uma mudança de paradigma nas últimas duas décadas em relação aos transtornos mentais, os preconceitos e mitos em relação ao “louco”, permanecem oferecendo base para a segregação e estigmatização de pessoas em sofrimento psíquico.

Toda pessoa está propensa a algum tipo de sofrimento psíquico, como: fobia, depressão, ciúme patológico, perda de entes queridos, manias, problemas interpessoais, dentre outros. E estes quadros, quando não recebem a devida atenção e cuidado, podem levar a transtornos mais graves. Porém é comum que as pessoas não ofereçam a importância necessária a certos sofrimentos, achando que os mesmos se resolverão com o tempo, o que nem sempre é uma verdade.

A vida acontece num fluido complexo de relações e podem contribuir para surgimento de diversas organizações subjetivas. Cada um possui uma história de vida que justifique o seu estado e seus comportamentos. Por isso, as diferenças interpessoais fazem parte do fenômeno natural à condição humana e negar essas diferenças é negligenciar a diversidade existente.

O perigo do termo “loucura” existe quando o mesmo é empregado para supor uma normalidade ou um padrão restrito de comportamentos. É perigoso por que nega diversidade de pessoas, jeitos e costumes. Além de discriminar e excluir outras tantas que passam por algum tipo de sofrimento psíquico e não suportam manter o padrão comportamental exigido em sociedade. Será que cabe a nos determinarmos o que é certo ou errado, ou mesmo o que é loucura ou normalidade? O problema está no julgamento frio, descontextualizado e apriorístico de uma conduta que não cabe a o nós julgar, mas sim, respeitar e tentar compreender dentro do contexto que se configura o comportamento humano.

Por: Paulo Lira

Psicólogo


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