“De médico e louco todo mundo têm um pouco”, apesar da maioria só querer a primeira parte.

March 9, 2016

A palavra loucura não possui uma definição específica, esta atrelada  a uma variedade de definições e sentidos. Mesmo assim, seu uso é bastante recorrente em nosso cotidiano.  Ao analisarmos historicamente o conceito de loucura nos deparamos com uma variedade de interpretações em relação a este estado,  que popularmente denominamos loucura. 

A definição deste termo tende a variar de acordo com a cultura e o período histórico em que sua ocorrência é verificada, o que nos mostra a fragilidade e a arbitrariedade do conceito. Não se pode dizer que exista uma definição científica para termo. Como muito bem aborda Foucault em seu livro História da Loucura.

 

Ao empregar o termo loucura a pessoas, de um modo geral, referem-se a comportamentos estranhos e incomuns  de indivíduos que por motivos não explicitamente indicados os fazem. A falta de informação e a dificuldade de conviver com o diferente é o que muita das vezes alimentam o preconceito embutido no uso do termo. 

 

Loucura é um termo vazio, que tendem a ser preenchido com preconceitos e mitos em relação a pessoa em sofrimento psíquico. As doenças consideradas psicológicas nem sempre são levadas a sério, as pessoas com este quadro costumam ser taxadas de  “frescas”, “incompetentes”,“incapazes” e etc. O que não é verdade, uma pessoa em sofrimento psíquico pode apresentar um quadro extremante comprometedor de seu bem estar físico e psíquico.

 

Apesar de estar acontecendo uma mudança de paradigma nas últimas duas décadas em relação aos transtornos mentais, os preconceitos e mitos em relação  ao “louco”, permanecem oferecendo base para a segregação e estigmatização de pessoas em sofrimento psíquico. 

 

Toda pessoa está propensa a algum tipo de sofrimento psíquico, como: fobia, depressão, ciúme patológico, perda de entes queridos, manias, problemas interpessoais, dentre outros. E estes quadros, quando não  recebem a devida atenção e cuidado, podem levar a transtornos  mais graves. Porém é comum que as pessoas não ofereçam a importância necessária a certos sofrimentos, achando que os mesmos se resolverão com o tempo, o que nem sempre é uma verdade. 

A vida acontece num fluido complexo de relações e podem contribuir para surgimento de diversas organizações subjetivas. Cada um possui uma história de vida que justifique o seu estado e seus comportamentos. Por isso, as diferenças interpessoais fazem parte do fenômeno natural à condição humana e negar essas diferenças é negligenciar a diversidade existente. 

 

O perigo do termo “loucura”  existe quando o mesmo é empregado para supor uma normalidade ou um padrão restrito de comportamentos. É perigoso por que nega diversidade de pessoas, jeitos e costumes. Além de discriminar e excluir outras tantas que passam por algum tipo de sofrimento psíquico e não suportam manter o padrão comportamental exigido em sociedade. Será que cabe a nos determinarmos o que é certo ou errado, ou mesmo o que é loucura ou normalidade? O problema está no julgamento frio, descontextualizado e apriorístico de uma conduta que não cabe a o nós julgar, mas sim, respeitar e tentar compreender dentro do contexto que se configura o comportamento humano.

 

Por: Paulo Lira 

Psicólogo

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